6º Trail do Castelejo 45 km – 14 de Fevereiro de 2015

11001602_869668886409387_3299797646799262019_oO 5º Trail do Castelejo (40 km) foi a minha primeira prova de trail e foi realizada de acordo com os objectivos inicialmente propostos  (entenda-se, acabar a prova independentemente do tempo demorado).

Ora, passado um ano voltei então ao “inferno” desta vez para dominar e não para ser dominado.

Permitam-me que descreva a palavra que escrevi entre aspas no parágrafo anterior. INFERNO.

Inferno não por ser quente nem vermelho, não encontrei nenhum demónio de chifres nem corpos humanos a arder e muito menos mortos. Bom, não estavam bem mortos.

Fora de brincadeiras então. Utilizei a palavra Inferno porque a recordação que tinha da prova do ano passado foi de algum/muito sofrimento distribuído por cerca de 200% do corpo o que me fez jurar que voltaria para me vingar.

Passou então um anos e chegou o dia 15 fevereiro.  O dia do 6º Trail do Castejo na localidade de Alvados. Desta vez a prova tinha 45 km e apresentei-me com as cores do CRP-Ribafria.

A prova começou pelas 9:00 da manhã num dia algo frio e um pouco nublado.

10991104_823748137691875_7169269644698035304_nComo sempre tinha o objetivo de acabar e um outro que era demorar menos tempo que o tempo que fiz na prova do ano passado (o que não seria difícil, ui, cerca de 8 horas…).

Nesta altura já tinha nas pernas duas provas de mais de 45 quilómetros (uma delas os Abutres),  algumas outras de menos quilometragem que me davam mais preparação, umas sapatilhas como deve ser e até uma mochila para colocar o gel energético.

Começámos por rolar cerca de 4 ou 5 km por trilhos largos que permitiam correr com alguma velocidade.

De seguida tivemos de “escalar” a primeira dificuldade. Um monte com um alto nível de inclinação superado com alto nível de eficácia (de gatas, literalmente). Depois disto descemos e subimos por trilhos estreitos circundados por muros e vegetação.

988941_823750757691613_2409231505125198928_nTivemos o prazer de molhar os pés num riacho e passar por baixo de uma ponte através de um túnel minúsculo, passar por uma cavalariça e reforçar energias em volta do feno.

Passámos por alguns pontos de controlo e de abastecimento sólido e líquido

Os primeiros 20 km foram rápidos e fizeram-se muito bem. Tão bem que nos últimos 15 km acabei por pagar um pouco a fatura da velocidade inicial.

A edição deste ano não nos brindou com tanta lama tanta água como na edição do ano passado e por isso correu-se um pouco mais.

10920901_822921444441211_8744305076765397626_nVisitámos as grutas de Alvados e Santo António ondem corremos ao lado de cursos de água e lagos naturais e pudemos “apreciar” as estalactites e estalagmites.

Depois de visitar uma das grutas passamos então para a parte mais dura da prova.

Foi a parte em que me senti já algo desgastado e onde começaram a passar por mim os atletas que conseguem fazer uma boa gestão de esforço.

Ainda não consegui isso.

A julgar pelo número de atletas que passaram por mim, nesta altura devia estar muito bem posicionado em termos de classificação geral. Acontece que ainda faltava mais de metade da prova.

Mas o objetivo nunca foi a classificação.

Já com as cãibras a surgir, subi a encosta da serra com uma vista para Este de um grande planalto de água (mar de Minde?????). Tratava-se de um caminho estreito com uma longa distância e com um grau de inclinação na ordem de 45º (mais ou menos). Caminho esse que fiz grande parte a andar, tal era a dificuldade.

Mais uma vez, como em todas as outras provas, me veio à memória o meu sofá, a lareira acesa e as minhas pantufas. Bom, não tenho pantufas, mas se as tivesse pensava nelas de certeza absoluta.

Ainda não percebi porque me vêm sempre à memória estas lembranças quando ando por ai.

Continuando, depois de atingido o topo do Evereste, perdão, da serra de Santo António (????) foi altura de desbravar trilhos mais ou menos direitos até à visita da segunda Gruta (não me recordo se Alvados ou St. António).

Foi um trajeto que se fez com muita corrida tendo trazido grande desgaste físico.

Depois disto fez-se o caminho até ao quilómetro 36.

10991406_10205976498757552_3743090909607869707_nO quilómetro 36 iniciava a parte da prova de maior grau de dificuldade. Trata-se de uma subida feita aos ziguezagues até ao topo da Serra do Candeeiros que provavelmente, no meu entender, seria feito muito devagar e com muito custo pois os quilómetros feitos já eram alguns.

Depois da chegada ao alto da serra, que de facto foi feita devagar, foi altura de apreciar uma das mais bonitas paisagens da zona e seguir em direção à Fornea para a descer até à ribeira de Alcaria.

Estava perto o final mas antes disso ainda era necessário trepar novamente parte da serra num piso difícil composto por pedra solta para descer e correr cerca de 3 ou 4 km em direção à meta.

5 horas e 52 minutos depois apresentei-me na meta (estava à espera de um fotógrafo mas ele não apareceu pois acho que ele merecia ter uma fotografia minha na sua máquina).

Objetivo mais uma vez cumprido.

Ainda mexia os olhos e o resto do corpo respondia a alguns estímulos (brincadeira, claro).

Agora a sério. Foi uma prova muito dura, feita com algum sofrimento e uma muito má gestão de esforço (como sempre).  Acredito que mesmo para os primeiros classificados a prova tenha sido igualmente dura.

De realçar os espirito de companheirismo e de interajuda existente por parte de todos os atletas que participaram na prova.

PS:

Esta crónica se calhar até não é muito interessante para quem a lê. A coisa até correu bem, não houve mazelas nem lesões assinaláveis, nada de sangue. Enfim, normal, e o normal não vende, não é notícia.

Para terminar, diz o documento das classificações que terminei na 46ª posição em 93 atletas que terminaram a prova.

Referir que o CRP – Ribabria ficou em 4º lugar por equipas com 16:05:36 e fez um fantástico 3º lugar individual através do Guilherme Lourenço com o tempo de 4:20:56.

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