6º Enduro Trail CRP Ribafria – 6 e 7 de Maio de 2017

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Realizou-se finalmente  este ano a prova que todos os amantes da natureza deveriam experimentar.

O 6º Enduro Trail do CRP apresentou 3 provas e uma caminhada:

  • O Enduro Trail, com cerca de 55 quilómetros, foi realizado no sábado e no domingo e tinha 4 etapas cronometradas (duas em cada dia) e 5 ligações (três no sábado e duas no domingo).
  • O Endurinho tinha aproximadamente 22 quilómetros, foi realizado no domingo e tinha duas etapas cronometradas e duas ligações.
  • O Mini Trail realizou-se no domingo e tinha 10 quilómetros.
    A caminhada realizou-se em cerca de 8 quilómetros de fantásticos trilhos da Fonte da Senhora.

Dois anos depois a 6º Edição do Enduro Trail do CRP voltou à versão de “2 dias” .

Ainda bem, dizem uns, ora bolas, dizem outros.

Os ”uns” falam da prova como uma competição fantástica, muito técnica, muito dura, por vezes sofrível e com alguns quilómetros. Foi assim que começou e acham que se deve realizar sempre em dois dias.
Os “outros” dizem “ora bolas” acompanhados de um profundo “eeeeeeeeeeeeeee” porque não querem deixar de a fazer e por isso o sofrimento é a dobrar.

O Enduro Trail trata-se de uma prova diferente de todas as outras provas de Trail que andam por ai (e andam muitas) uma vez que é uma prova onde cada atleta parte no seu tempo como se fosse um contra-relógio. Cada atleta de véspera sabia qual a sua hora de partida para cada etapa/classificativa e poderia calcular assim o tempo que tinha para percorrer as ligações entre etapas. Se um atleta chegasse depois do seu tempo de partida seria acrescido ao seu tempo de classificativa os minutos em atraso.

Por esta ou por aquela razão apenas tinha feito até à data a 3ª edição do Enduro (crónica aqui) por isso, e também por ser cá da terra, já desconfiava um pouco da beleza dos trilhos e das dificuldades que iria encontrar.

Desconfiar? Porquê desconfiar? É simples, com o pessoal do CRP nunca se sabe pois conseguem descobrir trilhos (ou fazê-los) em locais inimagináveis. Quando se julga que estamos a olhar apenas para um monte de silvas sem jeito nenhum eles veem um “monumento paisagístico” e preparam-no para que cada atleta que passa por lá o veja como uma “catedral”.

Assim, participei pela segunda vez no Enduro e já com mais alguma experiência de trilhos. Da primeira vez que por aqui andei saíram da minha boca algumas palavras que julgo não fazem parte do dicionário de Português. Este ano provavelmente não seria assim.

E não foi de facto.

No sábado pelas 13:00 levantei o dorsal nº 101 com algumas lembranças à mistura.

Dorsal e lembranças

O primeiro dia correu bem.

Pelas 13:30 arranquei, tendo sido o primeiro atleta a partir para fazer a ligação até à primeira classificativa que começava na encosta da serra dos candeeiros. Para lá chegar só teria de seguir umas fitas brancas.

O meu tempo de partida era às 14:30 e por isso fiz os cerca de 6 quilómetros num ritmo lento por um misto de trilhos e estradão e um pouco de alcatrão. Esta ligação não apresentava dificuldades de maior (uma descida inicial e um pequena subida no final) e o tempo disponível era mais que suficiente.

A primeira classificativa começou com uma descida pouco inclinada mas bastante rápida pela encosta da serra e continuou com uma subida difícil, sobre pedra e algo acentuada até quase ao topo da serra. No total tinha cerca de 11 quilómetros.
Para chegar ao fim só tinha de seguir as fitas azuis.

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Um dos vários abrigos (fantástica construção)

Depois disto descemos rapidamente por um trilho largo para voltar novamente a subir e passar a serra para o outro lado.

E andámos nisto, por trilhos muito técnicos e de dificuldade elevada, ora sobe ora desce.
A paisagem era bonita e o tempo agradável. Os trilhos apresentavam-se bem marcados através de uma vegetação não muito densa nem muito alta.

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Descida para o lado de cá junto a um abrigo

Uma parte dos caminhos eram trilhos que as cabras fizeram para nós e outra grande parte foram trilhos que a organização fez para as cabras.

 

Outra parte havia que quem marcou não sabia o caminho pois onde estavam as fitas azuis só se via mato. Ou então foram as cabras que mudaram as fitas.

Ainda na primeira classificativa descemos a serra por um caminho fantástico que só pecou por terminar numa lixeira.

Em pleno século XXI ainda temos disto no Parque Natural da Serra de Aire e Candeeiros.

Por não serem muitos quilómetros seguidos, optei por não levar água e cedo me arrependi pois a temperatura por vezes aquecia e o esforço estava quase sempre no limite.

Mesmo antes de uma muito inclinada subida apareceu Glória com um abençoado copo de água, não fosse já na próxima sexta-feira o 13 de maio com o Papa Francisco mesmo à porta.

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A subida, apesar de muito inclinada, foi feita através de um trajeto sinuoso num misto de vegetação, cinza, carvão e muita pedra, até se fez relativamente bem.

18358851_1184921024970515_8933327124546745768_oDepois disto tivemos uma descida por trilhos (sempre por trilhos) muito rápida e de seguida uma pequena subida até a uma fonte nos Chãos onde terminava a primeira classificativa com um bem aparecido abastecimento.

Entre a primeira e a segunda classificativa havia uma diferença de 2 quilómetros.
No largo da cooperativa Terra Chã partia a segunda etapa e apresentava um desafio de 7 quilómetros.

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Moinho junto à Associação Terra Chã

Ao longo desta distância e aos ziguezagues, subimos e descemos a serra do lado de lá uma série de vezes ultrapassando vegetação baixa mas muito densa. Vimos moinhos velhos e novos (eólicas).

 

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Lagoa da Gralha

Depois de mais uma subida iniciamos uma descida passando ao lado da lagoa da Gralha pela pior descida que a serra tem. Muito técnica, com um grau de exigência elevado, uma vez que tinha muita pedra (pedra da serra cheia de bicos), e muito mato.

 

As minhas pernas ficaram pior que a tarefa do canivete do jogo da Baleia Azul. Só rasgões e arranhões.

Uma vez ultrapassado mais este desafio e já cá em baixo imaginem o que tivemos de fazer a seguir.

Pois é já perceberam. Subimos outra vez.

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Um pouco da descida para o lado de cá da serra.

Mas nada de grave. Subida longa, não muito técnica, que terminou no alto da serra e ligou uma rápida e perigosa descida até alcançar o mesmo local do início da primeira classificativa que neste caso era o local onde terminou a classificativa atual.

Feitas as duas primeiras etapas segui-se uma ligação de cerca de 6 quilómetros até ao CRP através de estradões, alcatrão, com passagem no centro da vila, e trilhos.

Em resumo, apesar de ser uma prova muito técnica e de dificuldade muito elevada (na minha opinião e estando consciente das minhas capacidades), este dia não correu nada mal uma vez que acabei relativamente bem e num fabuloso 9º lugar da geral.

Iriamos ver como correriam os cerca de 25 quilómetros do dia seguinte já que não estava habituada a um ritmo tão intenso.

Agora só faltava tomar o banhinho e comer uma bela canja lá na sede do CRP.

Domingo de manhã, depois de um pequeno almoço de cereais desloquei-me para o CRP para iniciar a ligação para a 3ª classificativa. A alimentação antes da prova é e sempre foi o meu grande problema.

O meu tempo de partida foi marcado tendo em conta o tempo feito nas classificativas anteriores estando estipulado que o primeiro a partir seria o atleta mais lento da etapa anterior.

Assim parti às 8:17 minutos na companhia do Jorge Serrazina, do Helder Costa e do João Ferreira.

Uma das muitas coisas boas que o Enduro têm é esta parte da conviência entre atletas e as ligações entre classificativas permite um convívio acrescido que não se tem nas outras provas.

A terceira classificativa começava e acabava na Fonte da Senhora e parecia a selva da Amazónia (só faltava os crocodilos e as piranhas) pela densidade do mato.

Parti às 9:17 minutos e apesar de achar que seria muito difícil manter o 9º lugar optei por um ritmo bastante rápido.

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Fonte da Senhora – Passagem sobre o rio

Percorremos trilhos fantásticos, muitos deles abertos para o efeito, passámos por ribeiros de água, subimos a desconhecida Mata dos Loureiros para a maior parte dos Beneditenses (linda, linda linda), cruzámos a Azenha do Catita (que por acaso era do bisavô das minhas irmãs), ultrapassámos imensa vegetação, muitos obstáculos, muitas árvores caídas, algumas ravinas e buracos.

Num sobe e desce constante ultrapassámos os pouco mais de 8 quilómetros para terminar onde partimos e onde tínhamos à nossa disposição um bom abastecimento.

Correu muio bem esta classificativa, apesar de ter sido ultrapassado por alguns atletas bem mais rápidos que eu (verdadeiros animais). Ainda assim estaria mais ou menos na mesma posição. Coisa que não seria o mais importante.

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O Riacho da Fonte da Senhora

Nesta altura já não estava a 100% e sentia umas ligeiras dores abdominais fruto do esforço e de um problema antigo ainda mal curado. Para recuperar algumas forças perdidas comi um pouco de fruta, marmelada, brindeiras doces e frutos secos.

 

Depois disto, fiz a ligação para o CRP para iniciar a 4ª classificativa. Era a mais longa e, já se sabia, a mais difícil.

Após o esforço feito na classificativa anterior (exagerado, sei-o hoje) e de alguma indisposição seria tudo menos fácil.

Parti pelas 11:37 e posso dizer que não me lembro de andar em linha reta mais de 10 metros. Ainda não consigo perceber como é que há tanta subida nos locais onde andamos. Há pessoas que conseguem transformar descidas em subidas.

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Subida no Rio do Pego

Foram quase 11 quilómetros a subir e a descer no meio do matagal. Mais uma vez posso dizer que o percurso foi simplesmente fantástico e aquela subida do rio no Pego, infelizmente seco, foi maravilhosa.

 

Muito bom mesmo.

Como já desconfiava, esta classificativa custou-me um bocado. Comparando com todas as provas que fiz, acho que foi dos 10 quilómetros que fiz que apresentavam um nível de dificuldade mais elevado. Até ao quilómetro seis ainda corri relativamente bem, se é que dava para correr tal era o sobe e desce.

Até à meta confesso que me custou um bocado pois não me sentia com energia. Uma vez que eram poucos quilómetros cometi o erro de não levar líquidos nem comida.

Talvez pelo acumular do esforço das classificativas anteriores, pela pequena indisposição física ou por não levar água nem comida. Na verdade perdi imenso tempo e passei para a 12ª posição.

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Muito bom.

No final, apesar do cansaço tudo muito correu bem.

Cheguei ao fim todo arranhado e um pouco sem energia, mas cheguei.

Depois de comer umas 3 ou 4 sandes de porco no espeto e beber umas quantas cervejas estava pronto para outra.

Fantástica prova, fantásticos trilhos e que boa gente.
Que trabalheira que isto deve ter dado.

https://endurotrailcrpribafria.wordpress.com/
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